domingo, 15 de abril de 2018

dos dias que passam

domingo, 15 de abril de 2018
Enquanto tenho a panela de pressão ao lume a cozer feijão preto que vai ser servido no almoço de hoje, dei uma escapadela até aqui para poder estar um bocadinho convosco. Tenho muitos posts alinhavados, gosto de os preparar com tempo, sempre que penso nalgum assunto que acho interessante ser falado por aqui registo-o e faço uma espécie de brainstorming da publicação, mas não é o caso de hoje. Esta publicação está a surgir da ponta dos dedos neste preciso momento porque senti a necessidade de escrever-vos umas palavras. Sabem como é, uma pessoa habitua-se a isto e quando aqui não está fica com uma sensação de vazio, por isso mesmo enquanto fechava a panela de pressão pensei vou lá agora, caso contrário perco novamente a oportunidade, e cá estou. Ultimamente tenho andado muito focada numa série de discos pedidos (encomendas) que me têm sido feitos, o que por um lado é motivo de grande satisfação, por outro não me tem deixado muito tempo para blogar. Mas apesar de não conseguir publicar os meus posts ao ritmo que desejo, o facto é que o meu Lado B está numa fase de muito trabalho e crescimento. Sim, crescimento. Têm sido alguns os desafios que me têm lançado e quis agarrá-los, experimentá-los, não quis perder a oportunidade e sujeitar-me a ter de dizer daqui a uns tempos nem sequer tentei. A vida ensina-me muito e uma das grandes aprendizagens que faço é que não devemos contrariar a nossa vontade e devemos sempre procurar encontrar um caminho que nos conduza à realização das nossas ambições. Não, não são palavrinhas bonitas para o blog, é mesmo assim que funciona, acreditem. Digam-me, como poderia recusar o que tanto gosto de fazer? Não podia, por isso tenho dito que sim ao meu Lado B uma série de vezes nos últimos tempos. E é por tudo isto que não tenho conseguido publicar com regularidade,  pois tenho andado muito focada nos desafios que me têm sido feitos e que necessitam muito do meu tempo para serem executados. Conclusão, mesmo que com menos bloganço o meu Lado B está a bombar, com novas peças e novos projectos. Nas redes sociais vou conseguindo partilhar um pouco do que se passa, principalmente no instagram onde tenho estado mais presente, porque é mais fácil. Entre mantas para fora, mantas para dentro, novos materiais e cadernos preenchidos com esboços para projectos novos, isto tem sido um corropio de crochet!
Fiquem com algumas imagens dos meus dias no Lado B.
Fui à Ovelha Negra comprar algum material para novos desafios.

A minha Bolivian Inspiration Blanket foi pensada de raiz por mim e a ideia era tê-la terminado há pelo menos duas semanas atrás, mas os discos pedidos que entretanto caíram ganharam prioridade. Mas está no caminho, a barra vai sendo feita e não tarda estarei a fotografá-la já pronta e a partilhá-la convosco.
As Gémeas são duas mantas que me encomendaram e que neste momento começam a ganhar expressão.

Este livro andava na minha wishlist há já algum tempo. Um destes dias, numa outra ida à Ovelha Negra, reparei nele e ele em mim. Trouxe-o comigo! Digo-vos que já esbocei nos meus cadernos uma manta que não sei quando começará a surgir, apenas sei que a vou fazer. 

Ah, estes materiais entusiasmam-me muito! Comprei-os esta semana e são para responder a um dos desafios que me foram feitos. Ideias não me faltam, veremos como resultam.

Fio de algodão rústico e cores primaveris para responder a mais desafios que me estenderam.

Bom, a panela de pressão já terminou o seu tempo, a casa já está em movimento e eu vou terminar o almoço. Deixo-vos com a promessa de aqui voltar o mais breve possível. Entretanto espreitem o meu ig, é por lá que me entusiasmo com a publicação de algumas imagens relatadas em poucas palavras. E já agora, já que vos falei do feijão que pus a cozer, vou fazer uma sopa e um guisado seguindo esta e esta receitas, quero dizer, seguindo mais ou menos... adapto sempre ao que tenho por casa e às minhas vontades, mas também, e a meu ver, se não o fizesse isto de cozinhar não tinha piada nenhuma, gosto de inventar. O feijão guisado vai servir de acompanhamento a uns lombinhos na frigideira com sabores mexicanos, um guacamole feito por mim, um arroz branco feito pelo pai R e uns nachos, que sabemos fazer mas para não perdermos muito tempo na cozinha comprámos já feitos. Espero daqui a uma hora estar à mesa com a família, num almoço domingueiro a lamber os dedos com o repasto ☺
De resto, desejo-vos um excelente domingo e uma semana de muito Sol, esperemos!



Até já
Ana Lado B



domingo, 1 de abril de 2018

Memo # eu quero é mantas, parte 2

domingo, 1 de abril de 2018
Após o meu último post foram muitas as vozes que se manifestaram sobre os meus quadrados do proyectocolcha2.0, o que só veio reforçar a certeza de ter de voltar ao projecto para terminá-lo, o que acontecerá lá para o Outono. Para já continuo a ter em mãos outras mantas para terminar e cá estou novamente com um memo fazbemaosolhos para vos mostrar as que andam na cesta em vias de ficarem prontas nos próximos tempos. Depois da minha Manta de Outono planeei terminar uma outra até ao final do mês que entretanto acabou, acontece que caiu um disco pedido (já vão sabendo que este é o nome que dou às encomendas) que me tem ocupado muitas horas, mas com muito gosto. Fiquei muito feliz com o pedido e estou entusiasmada para ver o resultado final. O modelo não é meu, escolhemo-lo da net. Tenho feito uma média de seis quadrados por dia e neste momento já tenho cerca de setenta concluídos, terei de crochetar só mais cento e setenta... eheheheh tenho muito para dar ao dedo. Não revelarei o trabalho final, mas de vez em quando é normal que partilhe alguns dos progressos que vou fazendo com as duas manas. Sim, manas e gémeas, são duas mantas iguais. Na foto vêem os granny squares ainda por bloquear, que é o processo usado para dar a forma correcta aos trabalhos que tecemos, mas já dá para ver como são bonitos.
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Entretanto, e para descansar de dezenas de quadrados sempre da mesma cor, tenho colorido os olhos com a minha quase terminada bolivian inspiration blanket. Já tem nome e é mais uma manta desenhada por mim. As pontas de um dos lados estão já todas rematadas. Ai, ai, malta, isto de rematar pontas é uma valente seca mas é algo a que não podemos fugir, nada que um bom som e um bom café não ajudem a resolver. Estou desejosa de a ver terminada, gosto tanto do contraste das cores do padrão listrado inspirado nas mantas tradicionais bolivianas, cria um grande impacto aos olhos. A barra quero fazê-la o quanto antes, já sei como a quero e até já consigo ver o efeito que vai produzir e para que tudo isto aconteça terei de fazer umas maratonas durante a próxima semana. Embora trabalhe praticamente todas as noites no meu Lado A, o certo é que tenho tido os dias livres para poder dedicá-los ao Lado B. Ouro sobre azul, há que aproveitar porque nem sempre é assim.

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Além das de cima, tenho outra que iniciei no ano passado e será para ir fazendo nos dias que vamos acampar, o que está prestes a acontecer visto que não tardará muito mais a chegar o bom tempo. O destino dela está traçado, irá cobrir a cama da nossa caravana, que é uma espécie de outra casa onde dou liberdade à minha vontade de colorir o ambiente. Em casa sou bastante mais discreta, mas no que toca à caravana não sou nada comedida no uso de cores na decoração, bem vivas, daquelas que me arrancam sorrisos. Este ano há mais novidades pela caravana, o desgraçado do avançado que tínhamos há já quase dez anos não resistiu às últimas tempestades e finalmente vamos colocar um avançado novo. Já está a ser feito e não tarda nada a fábrica liga-nos para o irmos buscar. Pronto, lá vem aí pretexto para mais mantas, almofadas e sabe-se lá mais o quê... mas acreditem, sabe-me tão bem ter um retiro mimado, colorido, alegre, confortável, onde passamos dos melhores momentos. A manta é um modelo da Saskia com granny squares que vão sendo pregados com a técnica as you go, ou seja, com a própria agulha de crochet em ponto crochetado. A agulha de lã para coser apenas é usada para rematar as pontas finais. Ainda está muito pequenina, mas quando voltar a pegar-lhe é daquelas que crescem muito depressa.
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Hoje é domingo de Páscoa, para mim apenas só mais um domingo, de qualquer forma sinto sempre esta altura como um momento para pensar em mudanças e novos planos, talvez seja influência do simbolismo mas também porque é  o momento do calendário em que a natureza se renova e esse facto dá-me sempre alento para mudanças. Por exemplo, ao fim de quatro anos de pausa retomo amanhã as minhas idas ao ginásio. É também nesta altura que me dedico sempre à preparação da nova época no meu Lado A, que embora aconteça só a partir de Setembro necessita de tempo de preparação e de alguma reflexão. E a contagem decrescente para o início das férias grandes também começa agora e normalmente começam a surgir ideias e planos, que nem sempre se concretizam mas isso no momento não interessa para nada, apenas interessa pensar o quanto gostaríamos de fazer isto ou aquilo. E ainda sobre mudanças, não posso terminar esta publicação sem vos dizer que ultimamente o meu Lado B tem sido agitado com bons desafios e é bem provável que em breve aconteçam também algumas mudanças por aqui ☺ que venham, estamos cá para as receber!
Desejo-vos o resto de um excelente domingo de Páscoa e uma semana ainda melhor.



Até já
Ana Lado B



sábado, 17 de março de 2018

Crochet Along, um desafio... e alguma ansiedade

sábado, 17 de março de 2018
Pela primeira vez, participei numa Cal e fiquei com vontade de escrever umas linhas sobre o assunto. Entretanto, apercebi-me que a autora da cal na qual participei lançou há cerca de uma semana um post precisamente sobre o mesmo assunto, pelo que não me vou estender visto que podem ler as palavras esclarecedoras da Rosina. De qualquer forma, e para que falemos a mesma linguagem, comecemos pelo princípio: o que é uma CAL? é um desafio para a execução de um projecto comum num determinado período de tempo. E o que quer dizer CAL no mundo dos crafts? é a abreviatura de Crochet Along, para o tricot  usa-se KAL,  Knit Along. As Cals propiciam uma outra forma de viver o processo criativo,   fazendo-nos acompanhar por outros crafters para a partilha de conhecimentos, técnicas, opiniões, soluções, ideias, inspirações, um mar de possibilidades. Portanto, durante determinado período de tempo passamos a ter um ponto de encontro cujo factor que nos une é um projecto comum. E agora vamos ao que realmente me levou a escrever estas linhas. Foi uma pergunta que fiz a mim própria: qual a minha relação com as CAL?
Como já referi, participei numa recentemente, e do princípio ao fim, o que me deixou muito satisfeita comigo mesma. Em tempos cheguei a inscrever-me numa outra, mas acabei por não conseguir concluir na deadline proposta. Este é para mim o principal obstáculo para participar em Cals, o período de duração, o que pessoalmente sinto como um factor de recuo. Obviamente que o problema não é das Cal, o problema é meu. Ver-me obrigada a cumprir prazos no meu Lado B é precisamente aquilo que não procuro, traduzindo-se mesmo num factor desmobilizador, excepto quando assumo compromissos com os "discos pedidos" , i.e., as encomendas, obviamente.  Quem me vai seguindo sabe que aqui no meu Lado B gosto de ir fazendo os projectos ao sabor da maré e não de os fazer, se é que me faço entender. Quantas e quantas vezes, sinceramente acho que sempre, estou a crochetar determinada peça, tenho um rasgo sobre uma outra e não descanso enquanto não a inicio também. Estão a ver o filme, não estão? pois, vários projectos ao mesmo tempo é como funciono bem e não considero que seja um defeito, nem pouco mais ou menos. Uma pilha de trabalhos a serem executados em simultâneo é o motor do meu Lado B, ter vários projectos em execução e ir mudando conforme as vontades, conforme o que os meus olhos mais gostam nesse dia ou nesse momento, acreditem que é um enorme prazer que este Lado me dá e do qual não estou disposta a abdicar. Agora, como em tudo o que faço, se sentir que a participação numa cal é uma prioridade, ok, nesse caso siga. Foi precisamente o que me levou a participar na #grannyCAL18 lançada pela autora do Zeens and Roger. Reparem bem: grannycal. Como é que uma apaixonada por granny squares podia ficar de fora? não podia! Pumba, deu-me a louca e atirei-me, mesmo que a semana e meia do prazo limite de execução.  Mas a temática não foi o único factor que me levou a participar, houve outros estímulos como a execução livre, quer isto dizer que o projecto era escolhido por nós, assim como os materiais, portanto aproveitei fios que tinha cá por casa e decidi o tamanho do projecto à medida do tempo que tinha para o executar. Poucos dias é igual a projecto pequeno, então decidi fazer uma almofada. Ei-la ☺
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Fiz uma almofada de duas faces, um dos lados é desenhado num só quadrado, o outro é desenhado com quatro starburst granny squares. Mede 40cm x 40cm. Mais uma vez segui a minha intuição e o desenho foi nascendo mediante a quantidade de fio e respectivas cores.

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Consegui concluir dentro do prazo porque escolhi um projecto pequeno, mas foi uma participação de muito curta duração. Não tive tempo suficiente para usufruir do tal ponto de encontro, no caso um fórum de discussão e partilha no Raverly, essa parte fica para uma próxima. Praticamente são lançadas Cals a cada dia que passa e é difícil de acompanhar o ritmo. Nos últimos anos, além desta,  houve outras duas que me despertaram a atenção e me deixaram com muita vontade de participar. Uma foi a Proyecto Colcha 2.0, lançada pela Maria Sommer do De Estraperlo  (que esta semana lançou uma entrevista que fez a Tuija Heikkinen, uma criativa que muito admiro e que vos dei a conhecer muito recentemente aqui no fazbemaosolhos). Inscrevi-me no proyecto colcha 2.0 mas não o concluí... de qualquer forma sei que vou terminá-la, é demasiado bonita para ficar esquecida no fundo da cesta e ficou em lista para o próximo Outono, até porque este desafio não tem um prazo estanque, quem desejar pode ir entrando no grupo criado para o efeito, no fb. Na foto seguinte podem ver os poucos quadrados que fiz e as cores que escolhi conjugar. No final formarão um fantástico efeito de patchwork, absolutamente lindo! Não dá para desistir, não acham???
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A outra cal que também me deixou de beicinho foi a Spice of Life, lançada pela Sandra do Cherry Heart Acho a manta muito bonita, reuni todas as instruções e padrões e um dia hei-de fazê-la.
E é isto, embora algumas tenham projectos irresistíveis, as Cals criam-me alguma ansiedade por causa dos prazos, mas é claro que reconheço que são uma forma extraordinária para as comunidades se encontrarem e usufruírem de conhecimentos e partilhas. E desse lado, que me dizem sobre o assunto? costumam participar? e qual a experiência que retiram dessa participação? Partilhem comigo as vossas opiniões, estou curiosa e com certeza que os leitores do fazbemaosolhos também. Posto isto, chegou o momento do "até já", e hoje que o Sol nos visitou e os sorrisos já apareceram nos nossos rostos, só tenho a desejar-vos a continuação de dias muito felizes.
Ah, só mais uma coisinha... a Annemarie destacou a minha Manta de Outono na sua Link Your Stuff de hoje, o que me deixou com um sorriso ainda maior, daqueles que nem cabem na cara!!!
Agora sim,


Até já
Ana Lado B



domingo, 4 de março de 2018

Manta de Outono # giant granny square

domingo, 4 de março de 2018
Já passaram quase duas semanas desde o memo #eu quero é mantas , já estamos em Março e apenas consegui terminar uma das mantas. Mas tenho a outra já quase, quase pronta, e está a ficar absolutamente linda. Hoje trago-vos a mais recente manta fazbemaosolhos, completamente desenhada por Ana Lado B (moi-même!), a Manta de Outono. O nome não tem nada de original, de facto, mas continuo a olhar para a manta e só me inspira o cheiro e as cores das folhas caídas, o musgo, as madeiras e terra humedecidas. Aos meus sentidos inspira-me o Outono.
A primeira foto dela pronta, acompanhada das pontas que lhe rematei, foi publicada no instagram do fazbemaosolhos. Na altura achei que o ideal  seria aguardar por dias com boa luz natural para a poder fotografar, e de preferência ao ar livre, mas segundo o boletim meteorológico esses dias vão tardar a chegar, portanto decidi não esperar mais e fazer-lhe as fotos possíveis dentro de casa. Ei-la.
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Às vezes um projector cá em casa dava jeito! A parte mais difícil é, além da boa focagem, conseguir acertar com a temperatura das cores, mas vá lá, não correu muito mal, o azul petróleo está um pouco mais aberto do que realmente é, apenas isso. Já agora um pequeno à parte, ando com vontade de investir numa máquina fotográfica melhor, mas isso só fará sentido caso faça uma pequena formação em fotografia. Embora não sinta a fotografia como um hobby o certo é que me entusiasmo com as fotos para o blog (e agora também para o ig) e obviamente que podia voar mais e melhorá-las substancialmente caso tivesse alguns conhecimentos técnicos. Sabemos que os olhos são os primeiros a comer, portanto, quiçá um destes dias me atire de cabeça a uma dessas formações. Aliás seria bastante decente da minha parte, é que no meu LadoA já organizei vários workshops de fotografia, mas nunca participei em nenhum... shame on you!
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A manta mede 1,35m x 1,35m, um bom tamanho para nos tapar quando estamos aninhados no sofá ou para colocarmos nas camas para ajudar ao aconchego e como elemento decorativo. Foi crochetada com fio 100% acrílico da Rosários4, o Catitano. Faz um bom trabalho, é para repetir, além de que tem uma paleta de cores muito diversificada. Usei uma agulha nr.6, como sempre ligeiramente acima do indicado por ter o ponto apertado. O modelo é simples e um dos meus preferidos, um giant granny square. Já vos disse que sou completamente apaixonada por granny squares?... com certeza que sim, mas digo outra vez ☺





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As duas últimas fotos são as que já apareceram no meu instagram, uma com as pontas acabadinhas de serem rematadas e outra com as mesmas por tecer.
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Sinceramente que gostava de me dedicar a criar os gráficos de todos os projectos que faço, refiro-me aos que são pensados por mim, óbvio. Mas isso implica passar horas e horas em frente ao computador, o que acaba sempre por me retirar a vontade. É pena, e tenho pensado nisso. Já fiz um ou outro gráfico que inclusive lancei no blog, podem encontrá-los no link esquemas/tutoriais na barra do cabeçalho, mas as horas que passo ao computador por vezes matam-me. Preciso de encontrar um programa que me ajude mais do que aquele que uso, um que seja ainda mais intuitivo e simples, precisamente para não ter de ficar colada ao ecrã horas a fio. Tenho que me organizar no meu Lado B e tirar mais partido do tempo que invisto nesta minha paixão, sem dúvida alguma que tenho de o fazer.
Nunca contei as mantas que já fiz, não foram assim tantas mas já são algumas. Ora aí está um belíssimo exercício, juntar todas as mantas que fiz desde que o fazbemaosolhos existe. Algumas já não estão comigo, foram "discos pedidos" mas tenho o registo de todas.
Entretanto, após lançar esta publicação e depois de um aconchegante almoço domingueiro com os filhos e a cara metade, e porque o tempo está bom é para ficarmos em casa e usufruirmos do aconchego, vou lançar-me à outra manta que trago em mãos e terminá-la. Quer dizer, as pontas ficarão por rematar e a barra por fazer, mas o corpo da manta tem de ficar pronto hoje. Será uma manta muito diferente desta, nas cores, no modelo e até na temática que ma inspirou,  mas será igualmente bonita e também desenhada por mim. É que, embora existam tantos e tantos modelos já desenhados que quero muito reproduzir, isto de criar padrões originais, seja pelo desenho, pelas cores ou os dois juntos, cada vez mais me entusiasma. Gosto disto.
E a malta dos crafts aí desse lado, o que é que vos entusiasma mais nos projectos que fazem?


Até já!
Ana Lado B



terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Memo # eu quero é mantas

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
É já sabido que um memo fazbemaosolhos é sinal de trabalhos a quererem saltar da cesta e até ao final deste mês sei conseguir terminar dois dos projectos que hoje vos mostro. O memo de hoje é dedicado ao que mais gosto de crochetar - mantas. Grandes, pequenas, tanto faz, gosto muito de as fazer e fico em pulgas para vê-las prontas. As que hoje vos trago são de modelos diferentes, todas bonitas aos meus olhos. Começo por vos mostrar a que anda na cesta há mais tempo. É uma giant granny square com cores inspiradas no Outono, isto porque a iniciei precisamente no início da estação, no ano passado. Aguarda por dois novelos que preciso comprar para terminar a barra, mas até ao momento ainda não consegui chegar a tempo de ver a loja aberta... terei de os ir buscar esta semana sem falta, há que gerir os meus horários e não perder a oportunidade. Estou a fazê-la com o fio Catitano da Rosários4.
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Está mesmo a pedir que nos enrolemos nela, aninhados no sofá, acompanhados por uma boa chávena de café acabado de fazer (sim, eu é mais café, chá é bom mas café é loucura!), com um livro na mão, ou a ver um filme, ou então a fazer mais crochet. Tanto faz, as opções são todas do meu grande agrado, é preciso é terminá-la para traduzir estes pensamentos para a realidade. Neste momento falta apenas terminar a barra final e rematar as pontas. Está quase, mas ainda falta o quase.
Outra que estou a fazer, iniciada recentemente, tem um desenho e uma paleta de cores inspirados nas mantas bolivianas. As cores são de forte contraste, o conjunto produz um efeito fantástico e os meus olhos estão perdidamente apaixonados por ela. A culpa da existência desta manta é da minha filha, que me trouxe uma manta tradicional da Bolívia o ano passado. Absolutamente lindas, a manta e a filha!
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Por último, mostro-vos uma que depois de terminada vai direitinha para a minha cama. Estou a tece-la a dois fios e em hexágonos. É a que está mais atrasada, coitada. Comecei-a no final do ano passado, algures no tempo, já nem me lembro muito bem, depois parei porque se meteram umas encomendas pela frente, depois o natal, depois o fim do ano... o tempo foi passando e ela foi ficando no fundo da cesta enquanto avancei com outros projectos. Mas agora vai ter de saltar, quero terminá-la o quanto antes, embora não faça a menor ideia da duração de quanto antes. Veremos como acontece, sem pressas, a cama não foge, eu também não e vamos aguardar por ela. Ah, um pormenor. Os hexágonos desta manta serão unidos ou a preto, ou a cinza. Ainda não sei que cor escolher. Dicas?
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E desse lado, quem gosta de mantas em crochet?



Até já
Ana Lado B


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

crochet, cor e ilustração

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
O que mais adoro no processo de criação de uma peça é precisamente o momento de escolher as cores, é sempre um deleite. São muitas as vezes que primeiro penso as cores e só depois na ideia para a peça que vou fazer com essas cores. Sinto-me como se estivesse a pintar, as cores atraem-me, hipnotizam-me. Neste momento, aqui no Lado B, ando a terminar umas encomendas, ou discos pedidos, como gosto de lhes chamar, mas entretanto estou já a experimentar novas paletas de cor para os próximos projectos fazbemaosolhos. Neste Inverno trabalhei com paletas suaves, tons escuros, discretos, mas a saudade de mexer em contrastes fortes começa a apertar. Apetece-me cor!!!
E é a propósito da vontade voraz de criar contrastes que hoje vos quero apresentar o mundo colorido de Tuija Heikkinen, uma designer têxtil finlandesa com um trabalho que se destaca pelo estilo retro, pela originalidade e pela escolha de grandes contrastes, que para os meus olhos são absolutamente extraordinários. Conheci o seu trabalho através do instagram e desde o primeiro momento que entrei no perfil fiquei completamente rendida às cores e projectos. Através do crochet, do bordado e do tricot, Tuija cria um mundo colorido de formas ilustradas, de texturas e fusão de técnicas. A sua mestria a combinar cores é encantadora, os meus olhos colam-se às imagens adoram e inspiram-se no que vêem. Mais palavras para quê se as imagens valem por si, desfrutem.

todas as imagens que se seguem foram retiradas da net








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Como sempre, quando gostamos muito é-nos difícil escolher. Não me canso de olhar, as cores e as formas mexem comigo, dão-me energia, inspiram-me. Rodearmo-nos de cor, deixarmo-nos levar pela inspiração e deixar que simplesmente aconteça é qualquer coisa. E desse lado, espero que tenham gostado de conhecer o mundo de Tuija e as possibilidades criativas que ela nos dá, seja com a técnica do crochet, do bordado ou do tricot.  Para mim, o que hoje vos mostrei ultrapassa o simples acto de crochetar, é outra forma de o fazer, é expressão artística.


Até já
Ana Lado B




sábado, 3 de fevereiro de 2018

e o xaile vai para...

sábado, 3 de fevereiro de 2018
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Imaginem o rufar dos tambores e eu a dizer e o xaile vai para... seguido daquele momento de pausa para criar suspense... vai para a Maggie!!! yeaahhh

PARABÉNS!!!
Maggie fico a aguardar por um email com morada para poder enviar o xaile.

MUITO OBRIGADA a todas as que participaram.
Tinha só um mimo para dar mas recebi muitos, tão bom ❤

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Aproveito o momento, que é bastante oportuno, para vos dar a conhecer o que fez a vencedora do passatempo do ano passado, dedicado aos três anos de blog, com o kit sorteado. O ano passado o fazbemaosolhos ofereceu um kit com quatro novelos, uma agulha de crochet e uma pequena brochura (feita por mim) que ensina os primeiros passos da técnica do crochet, não fosse dar-se o caso do kit ir parar a alguém que não soubesse crochetar e quisesse aprender. O kit saiu à Susana do blog Maçã Pipoca , que fez uma manta de bebé com pequenos hexágonos e também umas mitenes. A Susana teve a gentileza de me enviar umas fotos com o resultado dos novelos transformados. Tudo bem bonito, ora vejam. 
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O kit foi este que vos mostro a seguir, quem se recorda?
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Foi um prazer comemorar convosco o quarto ano do fazbemaosolhos, com todos, seja com quem aqui deixou as suas palavras, seja com todos os que visitaram este meu canto. Foram muitos e soube muito bem.
Não me canso de repetir, OBRIGADA ☺ 


Até já,
Ana Lado B



terça-feira, 23 de janeiro de 2018

4 anos de blog e um xaile!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018
O fazbemaosolhos está em festa!!!
A todos os que aqui vêm, o meu profundo agradecimento por fazerem do meu blog um excelente contributo para a minha felicidade e realização pessoal, arrancando-me largos sorrisos de tão boa que é esta sensação de poder partilhar convosco o que tanto gosto de fazer. Há quatro anos atrás criei um veículo de comunicação com o mundo para poder partilhar com os demais os meus devaneios sobre a minha velha paixão pela tecelagem a uma agulha, mas deixem-me contar-vos como é que tudo isto começou.
Estava em 2013/2014 e passava por um momento na minha vida que, além de me dar tempo de sobra para me dedicar a outras andanças, me pedia para focar em assuntos que me dessem conforto e principalmente me distraíssem dos caminhos difíceis que a vida me colocara à frente naquela altura. Resultou. Com o passar do tempo, o fazbemaosolhos ajudou-me a desligar dos pensamentos nefastos e aborrecidos, dando por mim a pensar de forma mais limpa. Ajudou-me também a redescobrir o meu hobby, criando gosto pelo crochet contemporâneo, dando-lhe um lugar de destaque no meu dia a dia. E talvez a percepção mais importante que o fazbemaosolhos me deu, foi ter-me ajudado a concluir que o tempo somos nós que o gerimos, que o definimos pelas opções que tomamos, pelas prioridades que damos a nós próprios, sendo que me ajudou a ter a certeza de que não devemos perder tempo a lamentar-mo-nos de que o tempo nunca nos chega para fazermos o que realmente queremos fazer. Ora, aquilo que começou por ser uma espécie de distracção de aflições traduzida em hobby, hoje é uma certeza de continuidade. Embora superadas as dificuldades que me foram atiradas ao caminho naquele tempo,  o certo é que está fora de questão deixar o blog por este ter cumprido com o seu objectivo, entretanto  delineei outros objectivos e tudo isto é como se fizesse parte do meu adn. É gratificante e igualmente entusiasmante.
Com o blog também apareceu o meu alter ego, a Ana Lado B, e tenho de vos confessar que o facto de não me apresentar em primeira pessoa me dá um certo gozo, e por esta pequena perversidade tenho que vos apresentar as minhas desculpas. Já coloquei por aqui uma foto minha, uma única vez. Viu quem viu, conhece quem conhece. De qualquer forma esta espécie de anonimato já não é bem assim, pois já vão sendo alguns os que têm conhecimento de quem está por detrás destas linhas, aconteceu naturalmente e assim continuará a acontecer. Deixem-me explicar-vos, o facto de não dar a cara não quer dizer que pretenda esconder-me, apenas gosto da ideia de separar os meus dois mundos, aqueles que apelido de Lados A e B, é só isso.
Falar doutras coisas.  Embora o fazbemaosolhos seja um blog temático, cada vez mais me apetece vir aqui falar doutras coisas, da música que ouço, dos livros que leio, dos eventos a que assisto, da comida que gosto de fazer e comer, da rulote (que adoro e vocês sabem!), das experiências com outros crafts, enfim, dos outros passatempos, aqueles que também fazem parte da minha lista coisas simples da vida e que me dão enorme gozo e me confortam. É certo que já arranhei alguns assuntos por aqui, mas apetece-me deixar-me levar mais um pouco por cada uma dessas possíveis rubricas. Pode ser que seja este ano que comece a dar passos mais largos nesse sentido e consiga partilhar um pouco mais de mim convosco. Lá está, é a tal questão das prioridades, tudo consiste em sentir ou não necessidade de o fazer.
O nome do blog. Faz bem aos olhos é uma expressão que gosto de usar para exprimir o que sinto quando vejo algo que me inspira. Sinto que fui feliz com a escolha do nome e o meu sorriso rasga-se, de orelha a orelha, quando penso no que ainda posso vir a fazer por aqui, focando-me nisso mesmo, no que me faz bem aos olhos.
Desejo que o fazbemaosolhos siga o seu caminho e para tal que nunca me falte a vontade, a inspiração e as lãs, claro! É um prazer enorme saber que estão desse lado a ler estas linhas, saber que o que faz bem aos meus olhos também pode fazer aos vossos. Poder contar convosco para continuar a caminhar neste meu devaneio é uma honra e assumir que eu tenho a panca do crochet é um verdadeiro regalo ☺
A oferta. Adivinhem, fiz um xaile para vos oferecer! Foi feito com um daqueles novelos que vão mudando de corgostei desta combinação em particular.



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Segue-se então o que têm de fazer para que o xaile seja vosso:

- deixar um comentário aqui no blog, nesta publicação;
e
- seguirem-me nas redes sociais  aqui  e/ou aqui

O resultado do sorteio será revelado no próximo dia 3 de Fevereiro, aqui no blog.
BOA SORTE e mais uma vez MUITO OBRIGADA por estarem desse lado!!!


Até já,
Ana Lado B


Note: if you aren't in Portugal but want to participate in this giveaway, you can do it, but you need to ensure the shipping if you win. Thank so much! 


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

ivone, a manta dos 80's

terça-feira, 9 de janeiro de 2018
É o terceiro ano consecutivo que a primeira publicação é dedicada a uma manta. Não tem sido planeado, apenas tem acontecido. Mas também, qual a melhor forma de uma apaixonada por mantas de crochet começar o ano?

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Desde imaginá-la ao concretizá-la, foi um longo caminho. Passei por um período de indecisão no que respeitou ao acabamento. Estiquei-a dezenas de vezes na cama, no chão, mirei-a, fiz experiências, criei meios hexágonos, fiz franjas, pompons, imaginei barras, até que concluí que a primeira vontade que tivera fora a  única que me convencera. A primeira vez que decidi ter chegado o momento dos acabamentos foi quando me apercebi da assimetria das orlas e numa primeira impressão gostei daquilo, mas com o passar dos dias as dúvidas instalaram-se. Sabem que mais, quanto mais queremos fazer mais riscos corremos de castrar as ideias, portanto, o melhor que temos a fazer é deixar fluir e respirar, isto é, dar tempo. Foi o que fiz, esqueci-me dela e um dia voltei a olhá-la e quando regressei não tive dúvidas que era mesmo aquilo que queria. Queria-a diferente, foi o que saiu e os meus olhos gostam do que vêem.


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A ideia para a manta surgiu há pouco mais de um ano atrás, numa altura em que tive de fazer uma temporada em casa dos meus pais, por questões de saúde dos mesmos, fiquei por lá cerca de duas semanas. Um dia ao entrar na casa de jantar dos meus pais fixei-me na toalha de mesa feita pela minha mãe nos inícios dos anos 80. Olhei para aquela toalha tanta vez ao longo dos tempos, mas só naquele dia me passou a ideia pela cabeça, estes hexágonos eram capaz de dar uma manta.
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Esta é a toalha feita pela minha mãe, composta por dois hexágonos com desenhos diferentes, reproduzi os dois mas acabei por optar apenas pelo mais trabalhado. Quando o fiz estávamos a entrar no Outono e inspirei-me na estação para as cores escolhidas. Mais tarde apercebi-me que as cores que escolhi eram as que compunham a decoração da sala dos meus pais naqueles tempos, coisas da memória. Durante algum tempo chamei ao projecto manta de Outono, mas acabei por lhe dar outro nome, Ivone, que é o nome da minha mãe.




E agora deixem-me contar-vos o que é que esta manta representa para mim. Quando eu era miúda a minha mãe fazia muita renda, desde colchas para as camas, toalhas de mesa, conjuntos de naperons, rendas em lençóis,  picots nisto e naquilo, não parava, era de seguida, e fez renda até há uns anos atrás. Já não faz, não consegue, não se lembra sequer que um dia fez, a doença deu-lhe conta da memória... não é fácil lidar com esta realidade, apenas se aprende a seguir em frente. Voltemos àquela época. Lembro-me quando os meus pais resolveram fazer umas mudanças em casa e transformar a sala de jantar da altura (que ainda tinha ar de sala dos anos 60) numa sala comum, tão famosas nos inícios dos anos oitenta. As decorações dos 80´s eram do mais kitsch que possam imaginar, alcatifas, papel de parede com grandes ramagens de cores fortes e escuras, quadros de estampas nas paredes e tralha por todo o lado. Num estalar de dedos, as salas transformavam-se num verdadeiro labirinto de sofás, cadeiras, estantes, mesas e mesinhas, bibelots, tralha, tralha, tralha, precisamente o oposto das tendências dos dias de hoje. Mas sabem,  os olhos gostavam daquilo, naquela altura fazia sentido e o facto é que o comum dos mortais passou a ter acesso ao consumo, com todas as desvantagens que daí advieram, mas a sociedade da altura estava a viver um momento novo e não quis perdê-lo. Ora, mesa nova pedia toalha nova, com toda a certeza que foi o que a minha mãe pensou, e sem perder tempo, toca a dar ao dedo. Fez esta tal, com dezenas de pequenos hexágonos em linha Âncora nº6, côr beje. Na altura as rendas eram um tédio, todas bejes, cremes e brancas. Ah, esperem lá, os naperons para as cozinhas tinham cores fortes, sim malta, naperons nas cozinhas era mato, aliás, havia o hábito de espalhar naperons por todas as dependências da casa. Lembro-me de uns em tons de castanho e laranja, grannysquare, a condizer com as fórmicas dos armários, da mesa e cadeiras da cozinha e também com o papel autocolante que revestia os azulejos da cozinha, todo às flores pequeninas, castanhas, laranjas e brancas, a fazer lembrar os tecidos de algodão usados nos patchworks, eheheh muito bom, ah e lembro-me do vinil que forrava o chão da cozinha. Amiguinhos, nos 80's vivíamos no mundo do plástico! Mas regressemos à toalha, que foi executada hexágono a hexágono nas viagens de comboio entre Lisboa e Sintra, percurso diário feito pela minha mãe para ir trabalhar. Fazia cerca de seis horas de viagem diárias, autocarro para Cacilhas, barco para o Terreiro do Paço, autocarro para o Rossio, comboio para Sintra e autocarro para a empresa. Oito horas depois, o regresso. Era assim e os crochés entretinham-na naquelas repetidas viagens. Aquela peça antes de ser toalha de mesa, como muitas outras peças, foi companheira de viagem da minha mãe. Sei que é a toalha preferida dela e a mim faz-me lembrar os dias em que a minha mãe era uma senhora cheia de vida, expedita, uma verdadeira guerreira que se levantava de segunda a sexta às cinco da manhã para ir trabalhar todo o dia na secção de embalagens de um grande laboratório da altura, e regressava a casa às sete e meia da noite, sempre com um sorriso e um mimo para me dar. Entre muitas outras coisas, também me lembro do saquinho de papel do refeitório com uma carcaça lá dentro, a mala dela cheirava sempre a pão, um cheiro característico que guardo na memória e que ainda hoje me causa     conforto.
Conclusão, a Manta Ivone é inspirada nos inícios dos anos oitenta e é também uma espécie de tributo aos crochés da minha mãe. E ainda mais do que isso, é uma prova de como nos podemos inspirar nos designs antigos e reportá-los para os dias de hoje, dando-lhes uma nova visão e um novo lugar.



Até já
Ana Lado B


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