terça-feira, 31 de maio de 2016

O meu consolo

terça-feira, 31 de maio de 2016
Há poucas semanas estive em Almada, a minha terra. Foi lá que vivi até aos trinta e um anos, depois a vontade de mudança e uma paixão, daquelas que batem forte, trouxeram-me para terras do norte há já quase dezassete anos... uma imensidão de tempo. Gosto disto por aqui mas morro de saudades de quem lá ficou, morro de saudades de ter de atravessar o rio todos os dias, morro de saudades da luz de Lisboa, que é única. Mas estive lá e matei as saudades dos meus pais, da minha filha, dos meus grandes amigos e da vista do rio, tão perfeita. Tirei umas fotos à pressinha, sem tempo sequer para esperar pelo melhor momento, tinha de apanhar o barco e correr para o comboio. Não faz mal, o que registei é perfeito, porque olho-as e sinto-me lá. O cheiro do rio... tão único, sinto-o aqui. Durante anos da minha vida apanhei o cacilheiro e o ferry boat. O meu preferido era o ferry boat porque podia viajar fora da cabine de passageiros, olhar o rio, sentir a brisa, sentir o cheiro da maresia e às vezes sentir um frio gelado que me trespassava, mas eu adorava aquilo, era rotina de todos os dias e nunca me cansei. Fazia-me tão bem, era o meu consolo, o meu momento de equilíbrio, fosse para ganhar energia pela manhã, fosse para recarregar as energias ao final do dia.
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Quando eu era criança o farol de Cacilhas era verde. Foi retirado, penso que quando fizeram a primeira grande obra ao cais, há décadas, depois nunca mais voltou, até que recentemente Cacilhas acordou com o seu farol, agora vermelho. Questionei o porquê da mudança da cor, explicaram-me que se prende com um tipo de obrigação, qualquer coisa prevista na lei... enfim. Se era verde, verde ficava, acho. Mas isso também não é o mais importante, o que é mesmo bom é chegar a Cacilhas e voltar a ver o Farol. Dizem que os cacilheiros também vão deixar de ser laranja e passar a ser azuis... ok, pronto, gostam de mudar as cores, tudo bem.
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Fez-me bem este passeio. A partir de agora obrigo-me a ir lá mais vezes, pois não há melhor forma de afastar o sentimento da saudade, que nem sempre nos consola, como estar com o que tanta falta nos faz.


Até já
Ana Lado B


sexta-feira, 27 de maio de 2016

A Candy Sugar e outras coisas

sexta-feira, 27 de maio de 2016
Apresento-vos a Candy Sugar.
Coitada, esteve quase duas semanas à espera do meu tempo para a fotografar, mas cá está, cheia de luz.


Ficou com 0,90m X 0,97m, uma boa medida para manta de colo
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Podem ver neste e neste posts como fiz os losangos.

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Hoje falo-vos de fios que tenho usado nas minhas mantas. Para a candy sugar usei um fio acrílico que trabalhei com agulha 9. É o mesmíssimo fio que usei na minha Manta em Vs, é macio, certo, e trabalha-se muito bem, encontram-no aqui. São fios económicos, com cores que me agradam, mas atenção porque nem todos surtem bons resultados, como o caso do acrílico de espessura mais fina com o qual fiz o meu xaile folk, o fio é certo mas falta-lhe a suavidade que o mais robusto tem. É pena, porque a paleta de cores que apresenta é excelente para meu gosto, mas de facto a qualidade deixa um bocadinho a desejar. De qualquer forma o tal acrílico mais fino, que trabalho com agulha nr.5, dá para fazer trabalhos que não exijam em demasia, como por exemplo as mantas para as minhas quatro peludas de quatro patas. As mantas ficam com cores lindas e elas não se queixam da qualidade do fio, é só vantagens. De qualquer forma em breve vou querer experimentar o 100% algodão rústico desta marca, e veremos o que acontece, depois digo-vos.
Como os trabalhos que faço são essencialmente decorativos, mantas, almofadas, sacos, etc, e por vezes atingem grandes dimensões, como o caso de algumas mantas, gosto de usar fios acrílicos, desde que cumpram os requisitos mínimos, claro está. Quando procuro fios tento sempre encontrar uma qualidade muito razoável, cores que me preencham e um bom preço. Ora, o orçamento é deveras importante, repare-se que só nos dá duas possibilidades, poder ou não poder avançar com as ideias que temos. Se eu insistir em trabalhar unicamente com fios de alta qualidade, esqueçam, não consigo dar aos meus trabalhos as dimensões que muitas vezes pretendo porque o investimento tornar-se demasiado alto e o meu plafond não o permite. Dou-vos um exemplo, quando fiz a Manta Jardim de Liláses para oferecer à minha filha, decidi fazê-la em lã com mistura, queria fazer uma manta que a aquecesse bem nos dias frios quando pulasse para o sofá. Escolhi um fio em meadas, com boa qualidade, fabricado pela Brancal. A manta nem sequer é muito grande e o fio nem sequer é muito caro, nada disso, mas mesmo assim gastei quase setenta euros na lã. Se quisesse fazer uma manta idêntica mas com medidas de cama de casal, o valor dos materiais mais do que duplicava. Tudo perfeito, claro, qualidade é qualidade e existem muitos fios irrepreensíveis que valem cada cêntimo que damos por eles, não é essa a questão, não se trata de discutir o preço da qualidade mas sim de encontrar alternativas que dignifiquem os nossos trabalhos e que não nos impeçam de lhes dar o tamanho que quisermos por motivos orçamentais. À velocidade que eu gosto de fazer mantas tem mesmo de ser assim. Posto isto, outro fio que gosto muito de trabalhar é o Miltons , da BMG, e no caso também prefiro o fio mais espesso, trabalhado com agulhas 5 ou 6. Gosto de trabalhar fios robustos, adoro, e tudo o que se trabalhe abaixo de agulha 5 para mim é já demasiado fininho. As mantas Pop24 e Floresta foram feitas com o miltons e ficaram fantásticas. E tenho a dizer que já lavei a manta floresta mais do que uma vez e está como nova, absolutamente perfeita. Até agora já encontrei fios interessantes, é um facto, mas existem tantos fios no mercado para experimentar que a minha demanda vai continuar. Recentemente investi noutro que surgiu há pouco tempo, em breve mostro-vos qual e o que ando a fazer com o mesmo. Por hoje é tudo. Espero que tenham tido um óptimo feriado e desejo-vos um fim-de-semana ainda melhor.


Até já
Ana Lado B


sexta-feira, 20 de maio de 2016

gente bonita come Fruta Feia!

sexta-feira, 20 de maio de 2016
Imaginem, o mês não tarda está a acabar e este é o segundo post que publico... e tenho tanto mas tanto para partilhar convosco. A manta Candy Sugar está pronta à espera do meu tempo para uma sessão fotográfica, quero mostrar-vos novos fios, novas cores, novas amostras, novos projectos, etc, etc, etc. Mas tudo a correr bem e a partir do próximo mês terão de me aturar por aqui muitas e muitas vezes. Para já tenho de dar praticamente todo o meu tempo ao meu lado profissional, que também está a correr cheio de ideias e de bom trabalho. Tem de ser, e o que tem de ser tem muita força! Bom, mas entretanto aderi a um projecto muito interessante e, sendo que arranjei um bocadinho do meu tempo para vir até aqui,  é dele que hoje vos quero falar. A frase do título deste post não é minha, é da Fruta Feia . Um projecto que chegou ao Porto no passado dia 11 para fazer a primeira distribuição de cabazes na invicta, distribuição que se realiza todas as quartas-feiras na cooperativa do povo portuense. A Fruta Feia é um projecto que zela pelo não desperdício de produtos agrícolas. Sabemos que uma boa percentagem das frutas e legumes que comemos são desperdiçados diariamente por não poderem ser vendidos aos supermercados, por estes acharem que os produtos não têm o aspecto que o consumidor procura. E quando falamos deste tipo de desperdício falamos de toneladas e toneladas de alimentos por ano... uma verdadeira loucura, inimiga dos produtores e de todos nós. Como os produtores não conseguem escoá-los vêem-se obrigados a deitá-los fora. A cooperativa Fruta Feia trabalha contra esse desperdício e promove a ideia de que lá por uma maçã, ou qualquer outra fruta ou legume, ser mais torta, mais pequenina ou até desmesuradamente grande, não deixa de ter a qualidade, nem o sabor pretendidos. Aliada a esta lógica contra o desperdício alimentar, temos ainda a mais valia de consumirmos frutas e hortícolas de produtores locais, contribuindo assim para um melhor desenvolvimento agrícola da região.
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Estes são os cabazes pequenos, que têm entre 3 a 4Kg e sete variedades.

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Foi precisamente o cabaz que trouxe e comigo vieram limões, beterrabas, courgette, laranjas, kiwis, alface e tomate. Tudo fresquíssimo e muito saboroso!  


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Estes acima são os cabazes grandes, têm mais variedade que os pequenos e praticamente o dobro da quantidade.

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Se gostaram da ideia, é muito fácil aderir ao projecto, podem fazê-lo directamente no site.
Muito obrigada Fruta Feia pela vossa fantástica iniciativa, valeu a pena conhecer-vos. Vocês sim, são gente muito bonita!
E desse lado, já conheciam a Fruta Feia?


Até já,
Ana Lado B


quinta-feira, 12 de maio de 2016

tutorial losangos # parte 2

quinta-feira, 12 de maio de 2016
Ufa, consegui! Cá estou outra vez :)
Não tem sido nada fácil nas últimas semanas conciliar lados a e b, o primeiro têm-me sugado o tempo praticamente todo, pronto, de vez em quando é isto e ainda bem. Mas o certo é que fui fazendo uma escapadela aqui e outra acolá e consegui ir trabalhando a segunda parte do tutorial dos losangos yeyyyy!!! Vamos lá então. Já tínhamos visto aqui como fazer o losango e nesta parte 2 vamos ver como podemos dar forma rectangular ou quadrada aos nossos trabalhos. Com triângulos, precisamente.  
Uns são usados na base e no topo dos trabalhos, veja-se na imagem o triângulo rosa, e os outros são usados nas laterais, na imagem representados pelo triângulo verde. 
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Se formos ao tutorial losangos # parte 1 e seguirmos as instruções até ao momento em que chegamos à 8ª carreira inclusive, ficamos com um triângulo com todos os lados iguais, o tal usado para os topos e bases dos nossos trabalhos. O outro, o que vai servir as laterais, é também muito simples de ser executado. Na imagem seguinte mostro-vos como fica até à 8ª carreira (que marca o meio do triângulo), e como podem reparar um dos lados tem aumentos e o outro é todo crochetado a direito.
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Para a segunda parte deste triângulo, que é feita a partir da 9ª carreira inclusive, começamos a fazer as diminuições do mesmíssimo lado em que fizemos os aumentos (as diminuições fazem-se de igual forma que vos mostrei nos losangos). Para nos facilitar a execução, aqui estão os gráficos dos mesmos.
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E depois de termos todos os losangos e triângulos que necessitamos para construir a nossa manta, almofada, saco, etc, passamos à união dos mesmos. Existem várias formas de o podermos fazer,  fiz uma primeira tentativa mas não saiu como imaginei. Acabei por encontrar aqui algo muito aproximado ao que tinha idealizado. Aproveitem e vejam também os gráficos dos losangos da Solveig, que são um pouco diferentes dos que vos apresentei, ficam mais esguios. Para os unir também podemos cosê-los, vejam aqui, produz outro efeito mas também gosto, e ainda existem outras formas de os unir, é tudo uma questão de criatividade.
Espero ter-vos ajudado a criar novos projectos a uma agulha, para mim foi um prazer poder partilhar. E quanto à Manta com cores Candy Sugar, estou só à espera de Sol para fazer uma sessão de fotos ao ar livre. 


Até já
Ana Lado B




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