terça-feira, 23 de janeiro de 2018

4 anos de blog e um xaile!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018
O fazbemaosolhos está em festa!!!
A todos os que aqui vêm, o meu profundo agradecimento por fazerem do meu blog um excelente contributo para a minha felicidade e realização pessoal, arrancando-me largos sorrisos de tão boa que é esta sensação de poder partilhar convosco o que tanto gosto de fazer. Há quatro anos atrás criei um veículo de comunicação com o mundo para poder partilhar com os demais os meus devaneios sobre a minha velha paixão pela tecelagem a uma agulha, mas deixem-me contar-vos como é que tudo isto começou.
Estava em 2013/2014 e passava por um momento na minha vida que, além de me dar tempo de sobra para me dedicar a outras andanças, me pedia para focar em assuntos que me dessem conforto e principalmente me distraíssem dos caminhos difíceis que a vida me colocara à frente naquela altura. Resultou. Com o passar do tempo, o fazbemaosolhos ajudou-me a desligar dos pensamentos nefastos e aborrecidos, dando por mim a pensar de forma mais limpa. Ajudou-me também a redescobrir o meu hobby, criando gosto pelo crochet contemporâneo, dando-lhe um lugar de destaque no meu dia a dia. E talvez a percepção mais importante que o fazbemaosolhos me deu, foi ter-me ajudado a concluir que o tempo somos nós que o gerimos, que o definimos pelas opções que tomamos, pelas prioridades que damos a nós próprios, sendo que me ajudou a ter a certeza de que não devemos perder tempo a lamentar-mo-nos de que o tempo nunca nos chega para fazermos o que realmente queremos fazer. Ora, aquilo que começou por ser uma espécie de distracção de aflições traduzida em hobby, hoje é uma certeza de continuidade. Embora superadas as dificuldades que me foram atiradas ao caminho naquele tempo,  o certo é que está fora de questão deixar o blog por este ter cumprido com o seu objectivo, entretanto  delineei outros objectivos e tudo isto é como se fizesse parte do meu adn. É gratificante e igualmente entusiasmante.
Com o blog também apareceu o meu alter ego, a Ana Lado B, e tenho de vos confessar que o facto de não me apresentar em primeira pessoa me dá um certo gozo, e por esta pequena perversidade tenho que vos apresentar as minhas desculpas. Já coloquei por aqui uma foto minha, uma única vez. Viu quem viu, conhece quem conhece. De qualquer forma esta espécie de anonimato já não é bem assim, pois já vão sendo alguns os que têm conhecimento de quem está por detrás destas linhas, aconteceu naturalmente e assim continuará a acontecer. Deixem-me explicar-vos, o facto de não dar a cara não quer dizer que pretenda esconder-me, apenas gosto da ideia de separar os meus dois mundos, aqueles que apelido de Lados A e B, é só isso.
Falar doutras coisas.  Embora o fazbemaosolhos seja um blog temático, cada vez mais me apetece vir aqui falar doutras coisas, da música que ouço, dos livros que leio, dos eventos a que assisto, da comida que gosto de fazer e comer, da rulote (que adoro e vocês sabem!), das experiências com outros crafts, enfim, dos outros passatempos, aqueles que também fazem parte da minha lista coisas simples da vida e que me dão enorme gozo e me confortam. É certo que já arranhei alguns assuntos por aqui, mas apetece-me deixar-me levar mais um pouco por cada uma dessas possíveis rubricas. Pode ser que seja este ano que comece a dar passos mais largos nesse sentido e consiga partilhar um pouco mais de mim convosco. Lá está, é a tal questão das prioridades, tudo consiste em sentir ou não necessidade de o fazer.
O nome do blog. Faz bem aos olhos é uma expressão que gosto de usar para exprimir o que sinto quando vejo algo que me inspira. Sinto que fui feliz com a escolha do nome e o meu sorriso rasga-se, de orelha a orelha, quando penso no que ainda posso vir a fazer por aqui, focando-me nisso mesmo, no que me faz bem aos olhos.
Desejo que o fazbemaosolhos siga o seu caminho e para tal que nunca me falte a vontade, a inspiração e as lãs, claro! É um prazer enorme saber que estão desse lado a ler estas linhas, saber que o que faz bem aos meus olhos também pode fazer aos vossos. Poder contar convosco para continuar a caminhar neste meu devaneio é uma honra e assumir que eu tenho a panca do crochet é um verdadeiro regalo ☺
A oferta. Adivinhem, fiz um xaile para vos oferecer! Foi feito com um daqueles novelos que vão mudando de corgostei desta combinação em particular.



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Segue-se então o que têm de fazer para que o xaile seja vosso:

- deixar um comentário aqui no blog, nesta publicação;
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- seguirem-me nas redes sociais  aqui  e/ou aqui

O resultado do sorteio será revelado no próximo dia 3 de Fevereiro, aqui no blog.
BOA SORTE e mais uma vez MUITO OBRIGADA por estarem desse lado!!!


Até já,
Ana Lado B


Note: if you aren't in Portugal but want to participate in this giveaway, you can do it, but you need to ensure the shipping if you win. Thank so much! 


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

ivone, a manta dos 80's

terça-feira, 9 de janeiro de 2018
É o terceiro ano consecutivo que a primeira publicação é dedicada a uma manta. Não tem sido planeado, apenas tem acontecido. Mas também, qual a melhor forma de uma apaixonada por mantas de crochet começar o ano?

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Desde imaginá-la ao concretizá-la, foi um longo caminho. Passei por um período de indecisão no que respeitou ao acabamento. Estiquei-a dezenas de vezes na cama, no chão, mirei-a, fiz experiências, criei meios hexágonos, fiz franjas, pompons, imaginei barras, até que concluí que a primeira vontade que tivera fora a  única que me convencera. A primeira vez que decidi ter chegado o momento dos acabamentos foi quando me apercebi da assimetria das orlas e numa primeira impressão gostei daquilo, mas com o passar dos dias as dúvidas instalaram-se. Sabem que mais, quanto mais queremos fazer mais riscos corremos de castrar as ideias, portanto, o melhor que temos a fazer é deixar fluir e respirar, isto é, dar tempo. Foi o que fiz, esqueci-me dela e um dia voltei a olhá-la e quando regressei não tive dúvidas que era mesmo aquilo que queria. Queria-a diferente, foi o que saiu e os meus olhos gostam do que vêem.


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A ideia para a manta surgiu há pouco mais de um ano atrás, numa altura em que tive de fazer uma temporada em casa dos meus pais, por questões de saúde dos mesmos, fiquei por lá cerca de duas semanas. Um dia ao entrar na casa de jantar dos meus pais fixei-me na toalha de mesa feita pela minha mãe nos inícios dos anos 80. Olhei para aquela toalha tanta vez ao longo dos tempos, mas só naquele dia me passou a ideia pela cabeça, estes hexágonos eram capaz de dar uma manta.
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Esta é a toalha feita pela minha mãe, composta por dois hexágonos com desenhos diferentes, reproduzi os dois mas acabei por optar apenas pelo mais trabalhado. Quando o fiz estávamos a entrar no Outono e inspirei-me na estação para as cores escolhidas. Mais tarde apercebi-me que as cores que escolhi eram as que compunham a decoração da sala dos meus pais naqueles tempos, coisas da memória. Durante algum tempo chamei ao projecto manta de Outono, mas acabei por lhe dar outro nome, Ivone, que é o nome da minha mãe.




E agora deixem-me contar-vos o que é que esta manta representa para mim. Quando eu era miúda a minha mãe fazia muita renda, desde colchas para as camas, toalhas de mesa, conjuntos de naperons, rendas em lençóis,  picots nisto e naquilo, não parava, era de seguida, e fez renda até há uns anos atrás. Já não faz, não consegue, não se lembra sequer que um dia fez, a doença deu-lhe conta da memória... não é fácil lidar com esta realidade, apenas se aprende a seguir em frente. Voltemos àquela época. Lembro-me quando os meus pais resolveram fazer umas mudanças em casa e transformar a sala de jantar da altura (que ainda tinha ar de sala dos anos 60) numa sala comum, tão famosas nos inícios dos anos oitenta. As decorações dos 80´s eram do mais kitsch que possam imaginar, alcatifas, papel de parede com grandes ramagens de cores fortes e escuras, quadros de estampas nas paredes e tralha por todo o lado. Num estalar de dedos, as salas transformavam-se num verdadeiro labirinto de sofás, cadeiras, estantes, mesas e mesinhas, bibelots, tralha, tralha, tralha, precisamente o oposto das tendências dos dias de hoje. Mas sabem,  os olhos gostavam daquilo, naquela altura fazia sentido e o facto é que o comum dos mortais passou a ter acesso ao consumo, com todas as desvantagens que daí advieram, mas a sociedade da altura estava a viver um momento novo e não quis perdê-lo. Ora, mesa nova pedia toalha nova, com toda a certeza que foi o que a minha mãe pensou, e sem perder tempo, toca a dar ao dedo. Fez esta tal, com dezenas de pequenos hexágonos em linha Âncora nº6, côr beje. Na altura as rendas eram um tédio, todas bejes, cremes e brancas. Ah, esperem lá, os naperons para as cozinhas tinham cores fortes, sim malta, naperons nas cozinhas era mato, aliás, havia o hábito de espalhar naperons por todas as dependências da casa. Lembro-me de uns em tons de castanho e laranja, grannysquare, a condizer com as fórmicas dos armários, da mesa e cadeiras da cozinha e também com o papel autocolante que revestia os azulejos da cozinha, todo às flores pequeninas, castanhas, laranjas e brancas, a fazer lembrar os tecidos de algodão usados nos patchworks, eheheh muito bom, ah e lembro-me do vinil que forrava o chão da cozinha. Amiguinhos, nos 80's vivíamos no mundo do plástico! Mas regressemos à toalha, que foi executada hexágono a hexágono nas viagens de comboio entre Lisboa e Sintra, percurso diário feito pela minha mãe para ir trabalhar. Fazia cerca de seis horas de viagem diárias, autocarro para Cacilhas, barco para o Terreiro do Paço, autocarro para o Rossio, comboio para Sintra e autocarro para a empresa. Oito horas depois, o regresso. Era assim e os crochés entretinham-na naquelas repetidas viagens. Aquela peça antes de ser toalha de mesa, como muitas outras peças, foi companheira de viagem da minha mãe. Sei que é a toalha preferida dela e a mim faz-me lembrar os dias em que a minha mãe era uma senhora cheia de vida, expedita, uma verdadeira guerreira que se levantava de segunda a sexta às cinco da manhã para ir trabalhar todo o dia na secção de embalagens de um grande laboratório da altura, e regressava a casa às sete e meia da noite, sempre com um sorriso e um mimo para me dar. Entre muitas outras coisas, também me lembro do saquinho de papel do refeitório com uma carcaça lá dentro, a mala dela cheirava sempre a pão, um cheiro característico que guardo na memória e que ainda hoje me causa     conforto.
Conclusão, a Manta Ivone é inspirada nos inícios dos anos oitenta e é também uma espécie de tributo aos crochés da minha mãe. E ainda mais do que isso, é uma prova de como nos podemos inspirar nos designs antigos e reportá-los para os dias de hoje, dando-lhes uma nova visão e um novo lugar.



Até já
Ana Lado B


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